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A metáfora do Café


Fui ver o café com meus próprios olhos, quando vi desacreditei, mas quando senti fechei meus olhos e hipnotizado fiquei.

Na terra das cantigas, um lugar monótono, porém, instigante, ouve-se dizer sobre uma metáfora que corre entre os lábios do universo, que insiste em pensar que a alma peleja pela felicidade, a letra enaltece sobre a literatura e o café liberta os sentidos... Opa, espera um pouco, o café? O que um alimento tem a ver com uma coisa tão exaltada como a alma, ou com as letras enaltecidas da literatura?

Quer saber a resposta, então... pense que a leitura é uma porta, essa porta pode ser de uma folha de caderno até um meio digital, e que ao abrir essa porta, você será destinado a viver as letras e caracteres, sentir a literatura de uma forma tão excitante quanto o aroma do café... Ops já dei uma dica não é mesmo.

Ao abrir a porta à leitura, observa-se uma luz quente e ardente, porém, que deixa uma sensação fria e suave em nossas faces.

Cai e entrei na fazenda da dona Vera e logo me deparo com um senhor, que muitos chamam de “Seu Carlinhos”, um senhor trabalhador e que mexia em sua terra como se estivesse plantando algo muito valioso, pois a alegria era de se ver estampada em seus olhos, então fiquei curioso para saber o que ele estava plantando e perguntei:

- Bom dia senhor, o que tu plantas aí?

-Oi meu filho, eu planto vida, mas pode chamar de café se quiser, é mais conhecido – respondeu o senhor feliz e entusiasmado.

Fiquei confuso, pois já sabia que tinha escutado aquela palavra em algum lugar, então continuei andando até parar na casa de dona Vera, uma senhora feliz e sorridente com a vida, desci as escadas e logo percebi que ela mexia e observava seu fogão com um sorriso enorme no rosto, e novamente curioso, perguntei:

- O que a senhora está fazendo, dona Vera?

- Oi querido, eu faço felicidade, mas pode chamar de café se preferir – respondeu a senhorinha toda alegre.

Assim fiquei mais curioso ainda, e perguntei de uma vez por todas:

- E o é que café dona Vera?

E ela respondeu:

- Olha, uns dizem que ele veio das terras altas da Etiópia, outros dizem que ele é uma dádiva do universo. Alguns dizem que se bebe gelado, outros que a de se apreciar quente. Seu Carlinhos diz que às vezes ele é amargo como a vida, mas eu afirmo que ele pode ser tão doce quanto a plenitude.

E sem mais delongas, a senhorinha toda ansiosa trouxe-me uma xícara de porcelana com uma lasquinha quebrada, com algo dentro que ele dizia ser o café e que logo vinha acompanhado de um papal pequeno escrito “poesia”, e meus olhos já se enchiam de lágrimas de felicidade ao ver a fumaça flamejante fluindo sobre o ar, então a senhora mandou-me provar um pouco.

Impressionado com a forma do café, provei, dei uma bicadinha, e como um passe de mágica ou de aroma se preferir, senti a vivacidade correndo em minhas veias como algo que parecia desafiar as leis da ciência, era dia. O sol batia em meu rosto, o aroma do tal café brincava sobre meu rosto, parecia que o tal café tinha tocado minha alma, então resolvi ler o que estava escrito naquele pequeno papel chamado Poesia e me deparei com as seguintes palavras:

“... a alma peleja pela felicidade,

a letra enaltece sobre a literatura

e o café liberta os sentidos"

Então fechei meus olhos e hipnotizado fiquei.

Existe resposta melhor do que essa? É de se saber que o café corre entre os lábios da felicidade, uma semente tão pequena mas que proporciona coisas tão grandes, um pouquinho de café pode fazer a alma pelejar pela felicidade e que, ao adicionar poesia faz as letras enaltecerem sobre a literatura e libertar os sentidos, ou seja, é algo belo e simples, pequeno e flamejante. Enfim, o enigma pode ser resolvido com uns simples gestos, porém belos, plante vida, faça alma e beba felicidade, pois a metáfora é de se perceber sobre o alto da sé. Quer um gesto mais fácil? Prove um pouquinho de café, exalta sua beleza e simplicidade e sinta a liberdade estampada em seus olhos, pois aos olhos de quem vê ele é apenas um simples alimento, mas aos olhos de quem bebe e sente é uma metáfora que corre entre os lábios do universo e que faz a alma pelejar pela felicidade, as letras enaltecer e libertar os sentidos.


Wesley Carlos