Buscar

Fotopoema


Chove torrencialmente no primeiro dia do verão. A ironia é o útero de Deus. Miro o plexo solar e vejo aquarela, tom de rosa que brilha quando a luz se desfaz às 17h17min e nos revela que o contar das horas é uma ilusão, que o real é feito da substância que gera os sonhos.

O menino está agora sem as tiras do chinelo, esse que se perdeu nas águas da cidade, na esquina do poste que se apagou.

É preciso respirar, tal como abrir a janela e constatar a beleza dos raios.

O mundo é um livro aberto e o bater dos cílios é o virar das páginas.

Eis aqui um sorriso,

beijo,

sparkling cósmico dourado de micropartículas que sobem,

que sobem!

Fotogramas do poema que explode como o corpo do menino encontrado,

essa dor ainda sem nome.

Máquina revolucionária: a descoberta de um novo afeto, o ponto até então desconhecido.

A matemática dos dias,

intensidade das vivências imensuráveis

as exceções dos corações sem réguas.

Você chegará,

mas o que farei com essa alegria?


Vandia Leal


Instagram: @vanrleal


Texto retirado do livro In-quietudes de Vandia Leal. Padê Editorial - Cole-sã escrevivências, n. 13.

http://pade.lgbt/loja/vandia-leal-in-quietudes/

Posts recentes

Ver tudo

Devolvo à natureza um sorriso tímido

Devolvo à natureza um sorriso tímido A cada manhã que acordo, mesmo que barulhenta << Às vezes, preferivelmente barulhenta>> Por sentir-me parte de algo maior, Por respirar tão fundo, calmamente enche

Maracaninha Encantada

Na beira da praia apresento minhas penas. Elas são verdes, Da cor dos olhos do mar. Me encantei no sereno das ondas. Nasci Maracaninha... Do sonho de menina e de ostras pequenas. Sou pássaro e ostra.

Meninas Voadoiras

Chão-limite Pra elas pousarem Depois de voarem Por cima das casas e medos Avançando por Nuvens imaginárias De algodão e lágrimas Derramadas sobre a terra Emergindo o aroma Doce-fruta de mata. Meninas