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O silêncio da pandemia



A morte bateu na porta e a pequena Giovanna foi quem abriu.

Desde o início da pandemia, era sempre assim, não tinha tempo a perder.

-Onde está tua mãe? Perguntou a Morte, em seu vestido preto, seus cabelos ruivos e suas pupilas de fogo cinza.

A garota já a conhecia. Ela a vira há dois meses, no dia em que sua avó não retornou mais do Tide Setubal.

"Siga-me", disse a pequena Giovanna.

Elas caminharam até o final do corredor e chegaram a uma porta, que a garota abriu para demonstrar boas maneiras. O interior estava completamente escuro.

As cortinas fechadas e a janela trancada roubaram as cores da sala.

"Obrigada", disse a morte em sua voz rouca e sensual. Ela entrou e saiu um minuto depois, com um coração em uma sacola de pano.

Quando a morte foi embora, a pequena Giovanna foi até a cozinha, chegando ao exato momento em que uma mulher com o rosto machucado e ferido se jogou de uma cadeira. No entanto, a corda em seu pescoço, por algum motivo inexplicável, quebrou como se fosse borracha.

"Mãe", a menininha murmurou e a mulher virou-se imediatamente. Ela chorou

envergonhada e abraçou sua filha como nunca antes.

"Mamãe, lê um livro pra mim?"

"Eu não posso Giovanna, eu devo cozinhar para quando seu pai acordar."

"Eu não me preocuparia com isso." Eu não acho que ele se levanta - a

garotinha disse antes de pegar um livro.


Alessandra Barcelar


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