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  • Carine Mendes

Ondulações

Num momento acidental incidimos precipitadamente. Como duas ondas paralelas que se avistam de longe e realizam, existindo, o paradoxo de encontrarem-se como fruto da mesma água e, ainda assim, permanecerem em desencontro. Se da mesma água surgimos haveríamos pela mesma força de nos reunirmos entre tantas ondulações. Deu-se, por fim, essa junção, há muito improvável e ao mesmo tempo predestinada. O tempo tem dessas artimanhas, gosta de ser senhor da vida e acontecer a modo imprevisto. O que acontece na junção de águas que percorreram caminhos diferentes para se encontrar é atemporal, urgente e impreciso. Diluem-se os espaços e os contornos. Ultrapassa-se o tempo do destino e destinos se subjugam aos instantes infindáveis de transbordamento. Dessa mistura que se alastra nova onda de sentidos e um sentir que faz volume, espuma e impulso. Mesma onda agora inteira a quebrar e se refazer na borda da vida. Num momento preciso nos unimos incontornavelmente.

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