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  • Aline Pedrosa

Pra que eu nunca esqueça quem sou

A gente crê em coisas sazonalmente. Eu já acreditei que se eu fizesse careta e o galo cantasse eu ficaria para sempre com aquela cara. Acreditei que se queimasse algum papel com minha caligrafia, tremeria para sempre ao escrever. No auge das minhas invenções quando criança, coloquei na cabeça que creme dental Closeup(verde ou vermelho) se colocado no congelador viraria pastilha Halls. Ah! E o creme dental branco viraria a clássica pastilha Garoto. Brincava com formigas, soldadinhos e joaninhas. Tudo deixava claro o meu precoce apreço pelo "pagar pra ver". O sonho de ter uma máquina de escrever virou realidade aos 10 anos, aquela Olivetti trazia música aos meus ouvidos, o desafio de digitar cada vez mais rápido e o som das letras, num eco de cada palavra, pra mim era como transformar sentimento em algo palpável. Descobri que creme dental não vira pastilha. Felizmente não escrevo tremido(embora trema às vezes) e mesmo com caretas de vez em quando, absolvo o galo da vizinha por isso.

A magia da minha infância foi muito particular, na solidão eu sempre me achava. Amadureci logo porque ser adulto tem muito mais a ver com o que a vida exige da gente do que com a data no registro de nascimento. E hoje a vida parece sussurrar: " ei criança! Pode acreditar!"

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