Apenas um sonho

O deus da nossa mediocridade conforta-se ao descascar laranjas. Debruçado na janela observo a vida sintética do quintal – longa distância entre desejo e ter. Inconcebível era um ontem estrada que nos ultrapassou, caminho sombra dos sonhos esquecidos ou abortados filhos. Emergência em emergir. Persistimos em delirar Paris como último indício de saúde mental. Eis que chega o travestido de insano e expõe nossa loucura classe média, o amor por máscaras e vida hipotecada. Felizes como margarina, mas prestes a derreter quando acabar o teatro da vida social.


Por Vandia Leal


Texto retirado do livro In-quietudes de Vandia Leal. Padê Editorial, Cole-sã Escrevivências, n. 13.

http://pade.lgbt/loja/vandia-leal-in-quietudes/

Posts recentes

Ver tudo

Onde vais pelas trevas impuras, cavaleiro das armas escuras (...) Cavaleiro, que és? – que mistério Que te força da morte no império Pela noite assombrada a vagar? Álvares de Azevedo Por que é que voc

Lucas e Adalberto escreveram sua carta ao Papai Noel juntos. Empolgados, eles conversaram sobre o que fariam quando recebessem seus brinquedos. Lucas pediu uma bola e Adalberto um carrinho de madeira.

Dentro de mim cadeado, Porta aberta, cárcere privado, Ventre ancestral do tempo, Dentro de mim, muralha, Que a palavra não apaga Chica da Silva, Marielle, Anita, Dandara, Pagu, Maria Quitéria, Maria B

Deixe seu comentário: