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Insônia (Pedro Demingos)

O sono purga um som para fora dos meus olhos.

Meus tímpanos só fazem concordar.

Meus olhos escoam, minha testa

se abre para aplaudir.

Os acordes são a madrugada, a madrugada

é hipertensão. Não sei se é ansiedade ou arritmia

a matar-me esta noite, no silêncio dos

acordes, os acordes, os acordes.


Miopia, astigmatismo, estrabismo me explodem.

À otite sobrou uma mosca.

Tudo se move, o mundo

faz negar a si próprio.

O tambor, ao longe,

longe ecoa. Nada é suficiente

para libertar-me e, enfim,

acabar – começar – acabar.


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