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O fio invisível

É domingo. Os olhos atravessam a janela e se perdem no horizonte. A mãe lembra do dia em que o filho partiu. Outro cordão rompido que os separaram, mas dessa vez para mais longe. Deu vontade de um abraço. Deu vontade da presença. Deu vontade até de preparar a lasanha, que ele adorava devorar. Ali, na janela de casa, perdida em pensamentos, deu vontade.

Já ele pensa na luta. E luta. Talvez ela não entenda o espaço que ele precisava ganhar para ser. Mas ela reza para ele vencer. Ele fala para ela perder a mania de reclamar. Ele também reclama. Lágrimas pintam nos olhos. É domingo. E na janela de casa, ela trata de se reanimar. Ela lembra do fio invisível que une os dois e sorri. Ela sabe que ele está ali, mesmo sem estar.

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