Pequeno apocalipse

Nossa mãe cansada

À vida sovava

Com doce sorriso


Após misturá-la

Com água salgada

Que d'olhos vertia


E a fermentava

Com uma pitada

De imaginação


E depois nos punha a dormir

No porvir marinado de sonhos

E depois nos metia na vida

Com exato calor de virtude


E um dia, cozidos, partimos

aos palatos que não têm memória

e à orbe da pança inglória

que nos deu a patente de merda

e o inferno da fossa profunda.


Chegamos esgotados

Estava escuro o lume

Pesamos e fervemos

No lento caminhar

Da fila vertical


Mas um dia há de suspirar a gleba

Os vapores que evolam do fermento

Os que foram ruminados e desceram

Hão de ser a salvaguarda desta Terra


Quando o sol chegar de fato à velhice

E cantar o seu lamento de estrela

A memória do calor que ele tinha

Será fogo que sustentará a mesa.



Leandro Costa

Posts recentes

Ver tudo

Onde vais pelas trevas impuras, cavaleiro das armas escuras (...) Cavaleiro, que és? – que mistério Que te força da morte no império Pela noite assombrada a vagar? Álvares de Azevedo Por que é que voc

Lucas e Adalberto escreveram sua carta ao Papai Noel juntos. Empolgados, eles conversaram sobre o que fariam quando recebessem seus brinquedos. Lucas pediu uma bola e Adalberto um carrinho de madeira.

Dentro de mim cadeado, Porta aberta, cárcere privado, Ventre ancestral do tempo, Dentro de mim, muralha, Que a palavra não apaga Chica da Silva, Marielle, Anita, Dandara, Pagu, Maria Quitéria, Maria B

Deixe seu comentário: