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Xibalbá - Diário da pandemia



Sem dúvida os anos de 2019, 2020 e 2021 têm sido anos desafiadores para toda a humanidade. A pandemia Corona Vírus, ou da Covid-19, pegou todos de surpresa. Essa peste foi e ainda tem sido sinônimo de muitas mortes, sofrimento, tristeza, incertezas, dúvidas, desânimos, derrotas e luto. Ela se estendeu por todo o Planeta Terra, como uma maldição. Aquilo que até então só se via em filmes de ficção científica, passou a ser uma realidade traiçoeira e rotineira que nos espreita pelas ruas.

O mundo passou a viver um Armagedom, um Hecatombe, um Apocalipse, um Hagnarok. Muitas pessoas foram contaminadas e até o momento que escrevo essas palavras, só aqui no Brasil, mais de 330 mil pessoas já morreram. Algumas pessoas conseguem superar a doença, outras acabam desenvolvendo o quadro mais grave do vírus e indo parar nas UTIs. De lá, muitos conseguem sair com vida.

Percebi que em grande parte da população, a pandemia evidenciou a empatia, a solidariedade, o cuidado com a saúde e higiene, o respeito e a preocupação com o bem estar do próximo... porém, a crise sanitária causada pelo Covid-19 também evidenciou o lado obscuro de muitas pessoas. Infelizmente a pandemia trouxe à tona o que muitos traziam secretamente em seus corações: o egoísmo, o negacionismo e todo tipo de conduta maldosa que compõe uma personalidade desumana.

Muitos trataram e ainda tratam o vírus como uma mera “gripezinha”, minimizando a real ameaça do Covid-19 por interesses diversos ou pelo maior de todos os males que aflige a humanidade: a ignorância. Essas pessoas insistem em não usar máscaras, não higienizam corretamente as mãos, se aglomeram com frequência e dessa maneira, não se consegue deter o vírus que continua se propagando e dando origem a novas variantes mais poderosas. Tem sido devastador.

Mesmo me cuidando ao máximo e respeitando as regras sanitárias, em novembro de 2020 fui contaminado pelo impiedoso Covid-19. A suspeita é que eu tenha me contaminado quando fui ao supermercado. É um vírus “preparado” e “decidido” a matar. A cada dia era acometido por um sintoma diferente que se manifestava e se somava aos anteriores, como se a doença quisesse experimentar maneiras diversas de derrubar a pessoa infectada. E acreditem... derruba mesmo.

No primeiro dia observei algo muito estranho. A cera do meu ouvido entrou em estado líquido e começou a escorrer no travesseiro durante a noite. Eu nunca tinha visto coisa parecida. Comecei a sentir uma dor desconfortável que parecia irradiar de todos os dentes ao mesmo tempo. No segundo dia tive uma tosse seca e dolorosas ínguas que me apareceram no pescoço. Sentia muito sono e deixei de sentir cheiro e o gosto da comida. No terceiro dia também me deu diarreia e desde então, uma intensa fadiga. Era uma dor generalizada pelo corpo todo. Dores musculares e também nas articulações que latejavam sem parar. Eu nunca havia sentido tamanha dor.

No quarto dia senti muito enjoo e dores abdominais; por vezes, sentia tonturas. A toda hora eu precisava me sentar ou me deitar. Por sorte não tive febre e nem dificuldade para respirar; esses dois sintomas seriam o sinal de que o quadro poderia estar se agravando e certamente a internação é o mais indicado nesse momento. Apesar de estar me sentindo horrível, o médico receitou um coquetel de remédios que eu tomei cumprindo a quarentena estabelecida de quatorze dias.

Depois disso, comecei a melhorar. Os sintomas foram desaparecendo um a um, mas não todos. Fiquei com uma forte fadiga durante dias. Pouco se sabe sobre as sequelas deixadas pelo Covid-19. Dizem que problemas cardíacos e/ou neurológicos podem surgir em pessoas que contraíram o vírus. O que sabemos é que a doença não escolhe idade, raça, posição social ou econômica. Todos nós podemos ser vítimas desse vírus soturno. Quem já se contaminou, não deve relaxar; pois é possível uma reinfecção.

Com essas variantes agressivas e mutações do Covid-19 circulando por aí, tenho a impressão de que novos vírus estarão sempre surgindo para atacar a humanidade; vírus mais potentes, mais letais. Por isso o mundo deve unir forças para preservar a vida, a natureza e dessa forma, o Planeta Terra. Vamos nos respeitar, cuidar do corpo e do espírito, na esperança de que todos sejam imunizados pelas salvadoras vacinas.



Adriano Besen


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